O autor de uma das peças mais importantes do século representa para a contemporaneidade um marco da cultura americana. Em 1947, Tennessee Williams é consagrado com o Prêmio Pulitzer pela peça “Um Bonde Chamado Desejo”. Em primeiro plano, o texto consiste numa mulher visitando a irmã em New Orleans, onde encontra uma forma de viver oposta a qual está acostumada e pela qual apresenta ao leitor, em desdobramentos de poderosas e viscerais discussões humanas, o tormento que viveu em seu passado. Na leitura de Williams, somos contemplados com uma construção de linguagem particularmente aprimorada, onde realidade e ilusão encontram-se de forma perversa e estimulada senão pela presença de um passado conturbado. O experimento de conhecer a personagem nos coloca quase como analistas frente a um paciente. É possível perceber melhor a sua personalidade por meio de atitudes e apenas um gesto, na dialética entre sofisticação e brutalidade, pode significar um novo desafio na compreensão das consequências de um passado conturbado. Em “Tennessee Williams’ South”, o autor afirma que o objetivo central do texto é propor a compreensão das pessoas delicadas. Indubitavelmente, Blanche DuBois é uma mulher delicada que esconde uma pesada carga de angústia sob a maquiagem de sofisticação e amor pelas artes. Dificilmente podemos passar por esta experiência literária sem notar a influência da vida do autor na sua obra.
sexta-feira, agosto 05, 2011
segunda-feira, agosto 01, 2011
Entre sucesso e decadência, acordes e amores
HUMORESQUE (1946) provavelmente não funcionaria tão bem sem o poderoso elenco. Esta produção pode ser caracterizada senão como um clássico “camp” do romeno Jean Negulesco. Estruturado no formato novelão, muito bem popularizado pela Warner nos anos 40, o filme conta a história de um romance dividido entre o sucesso e a decadência. O violinista Paul Boray (John Garfield) introduz com algumas linhas o longo flashback que desdobra a história de sua vida. Deixando a família humilde na infância, como um adulto encontrando o sucesso, Boray se apaixona pela afortunada Helen Wright, uma mulher controladora que encontra no álcool a sua fuga da realidade. Uma das primeiras coisas evidentes que podem ser vistas como o ponto pouco convincente da narrativa é o contraste em relação aos dois cenários da trama. A quinta avenida dos luxos e exageros, onde a personagem de Crawford decide por fim a uma vida vazia a qual está submetida, frente ao espaço da família do violinista, onde os cidadãos parecem estar satisfeitos mesmo vivendo uma vida de dificuldades e a recusa do filho pródigo. A exímia direção é o fator que mais atrai a atenção do espectador, na sua montagem impecável e na percepção da música como em nenhum filme já feito pela Warner. O captar da gloriosa ascensão dos acordes de Boray por ser tão memorável quase desculpa a artificialidade no retrato daquelas relações sociais. Se não bastasse a estética brilhante, o sucesso comercial de HUMORESQUE funciona bem como veículo a Joan Crawford, que indubitavelmente recebe um tratamento especial pela câmera, especialmente nas cenas em que aprecia os concertos e, nessas sequências de extremo êxtase, o espectador de longe nota a dedicação emocional da atriz. Pode-se dizer que a redenção praiana de Crawford, intensamente orquestrada por “Liebestod” da composição wagneriana “Tristão e Isolda” e fotografada por Ernest Haller, vale pelo filme!
Um filme necessário aos indivíduos que buscam o cinema enquanto representação musical e que agradará especialmente os fãs de Joan Crawford por ser repleto de sua requintada, mas intensa e poderosa interpretação
....CURIOSIDADE: A homenagem que Madonna faz ao filme com o seu videoclip "The Power of Goodbye"
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